Tireoide

A palavra tireoide vem do grego e significa formato de escudo, é uma glândula localizada na região inferior do pescoço, e pesa entre 15 e 25g. Possui dois lobos e uma região central que liga o lobo direito ao esquerdo e chamamos de istmo.

A tireoide produz dois hormônios compostos por iodo, e são essenciais para o corpo, a triiodotironina (T3) e a tetraiodotironina ou tiroxina (T4) que regulam o metabolismo. Estão relacionados com a frequência cardíaca, ciclo menstrual e fertiliadade, ganho e perda de peso, controle emocional, temperatura do corpo, funções cerebrais, crescimento e desenvolvimento na infância e adolescência.

A produção do T3 e T4 é controlada pela hipófise através do hormônio tireoestimulante (TSH), por esse motivo durante o acompanhamento esses exames laboratoriais são solicitados pelo médico.

Problemas na tireoide

A tireoide pode apresentar problemas em suas funções, causando o Hipertireoidismo (liberação de hormônio em excesso) ou o Hipotireoidismo (liberação de pouco hormônio).

Nódulos tireoidianos também podem ocorrer e a função da tireoide pode permanecer normal.

Hipotireoidismo

Hipotireoidismo

No hipotireoidismo o T3 e o T4 são produzidos em um nível inferior ao que o organismo necessita, diminuindo o metabolismo. A causa mais comum deste distúrbio é a Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune que atinge com mais frequência mulheres com mais de 35 anos. Os pacientes com Hashimoto têm anticorpos anti-tireoide (anti-TPO e anti-Tireoglobulina) que degradam a glândula ao longo dos anos. A tireoide é uma glândula com bastante reserva funcional e a maior parte dos pacientes com anticorpos positivos não desenvolvem o hipotireoidismo.

Os sintomas são:
– Pele ressecada;
– Dores nas articulações;
– Sensação de frio;
– Lentidão na fala;
– Prisão de ventre;
– Menstruação irregular;
– Aumento de peso;
– Depressão;

– Batimentos cardíacos mais lentos;
– Fadiga;
– Falhas de memória;
– Queda de cabelo;
– Colesterol aumentado;
– Mãos e pés frios;
– Baixa libido.

O tratamento consiste na reposição do hormônio tireoidiano (levotiroxina), afim de restabelecer o metabolismo. O medicamento deve ser ingerido em jejum e preferencialmente 30 minutos a 1 hora antes do café da manhã. Caso esqueça, tome o comprimido 2 horas após a refeição, aguardando no mínimo 1 hora para alimentar-se novamente.

Não é adequado tomar junto com outros medicamentos, pois pode interferir na absorção, diminuído o efeito desejado. Na dose adequada não costuma provocar efeitos colaterais. Na maioria das vezes o uso do medicamento é para a vida toda, com acompanhamento médico para possíveis ajustes periódicos. Alimentos ricos em vitamina A, Zinco e Omega 3 auxiliam, outros podem interferir e devem ser evitados: soja, flúor e cloro contido nos adoçantes.

Hipertireoidismo

O hipertireoidismo ocorre quando os níveis de T3 e T4 estão altos. A doença de Graves é a causa mais comum, ocorre quando o sistema imunológico produz anticorpos (Anti-TRAB) que atacam a tireoide estimulando a produção hormonal, esses anticorpos também podem se acumular atrás dos olhos, o que provoca protusão. Causas menos comuns: nódulos que podem secretar hormônio em excesso e tireoidites. Palpitações, tremores (principalmente nas mãos), perda de peso e irritabilidade são sintomas comuns nesse cenário, mas outros também podem ser observados: 

– Insônia; 
– Suor excessivo; 
– Sensação de cansaço; 
– Ansiedade; 
– Fraqueza muscular; 
– Menstruação irregular (por vezes muito curta ou com pouco fluxo); 
– Diarreia; 

– Aumento do apetite; 
– Queda de cabelo; 
– Pele quente e intolerância ao calor;
– Dificuldade de raciocínio e concentração;
– Aumento visível da glândula (bócio) ou presença de nódulos na região;
– Agitação e hiperatividade;
– Olhos inchados ou saltados;
– Unhas quebradiças

O tratamento deve ser individualizado para cada paciente e a melhor opção deve ser definida em conjunto com seu médico:

-Medicamentos antitireoidianos diminuindo a produção hormonal (metimazol, propiltiouracil-PTU)
-Beta-bloqueadores controlam a frequência cardíaca, tremores e ansiedade
-Iodo radioativo
-Remoção cirúrgica da tireoide (tireoidectomia)
-Radioablação para nódulos (autônomos, “quentes”) que produzem hormônio em excesso

Nódulos tireoidianos

Os nódulos são lesões arredondadas no interior da tireoide, são muito frequentes, principalmente nas mulheres acima de 50 anos. Estima-se que mais da metade dessas mulheres apresentam nódulos na tireoide. Felizmente, na grande maioria das vezes são nódulos benignos. A causa na maioria das vezes não é conhecida, mas muitas vezes são encontrados em membros de uma mesma família. A deficiência de iodo é uma causa muito comum, porém no Brasil devido ao sal iodado é pouco prevalente.

Embora normalmente os pacientes não apresentem sintomas, quando muito grandes ou malignos podem causar dor rouquidão, atrapalhar para engolir ou respirar.

O diagnóstico do nódulo tireoidiano muitas vezes é feito no exame físico durante a palpação da glândula, mas nódulos menores são identificados apenas em exames de imagem, principalmente ultrassonografia.

Na investigação do nódulo é importante avaliar história familiar de câncer de tireoide, exposição a irradiação, idade do paciente, palpação da tireoide e do pescoço, presença de nódulos no pescoço, sintomas, velocidade de crescimento, tamanho e característica do nódulo no ultrassom, quando indicado realizar a biópsia do nódulo. Exames laboratoriais para determinar se a função da glândula está preservada e cintilografia nos casos de hipertireoidismo associado para investigar nódulo hiperfuncionante (autônomo ou “quente”).

Quando preciso operar a tireoide?

As principais indicações cirúrgicas são: câncer ou suspeita, nódulos ou tireoide muito grandes que causam sintomas de compressão, e alguns casos de excesso de funcionamento da glândula (hipertireoidismo), a indicação por motivos estéticos é relativa.

A cirurgia da tireoide

A cirurgia é feita com anestesia geral. A tireoidectomia pode ser parcial (retirada de apenas um dos lados) ou total (retirada completa da glândula). Habitualmente é realizada uma incisão na região inferior do pescoço, porém em alguns casos é possível ressecar a glândula por via endoscópica (por vídeo). 

Uma dúvida frequente são as possíveis complicações em relação a voz. Os pacientes não correm o risco de perder a voz, mas ocasionalmente pode causar rouquidão e felizmente na grande maioria das vezes é temporária e raramente definitiva. Isso pode ocorrer, porque durante a cirurgia é necessário dissecar o nervo laríngeo recorrente e superior, responsáveis pela inervação da musculatura da laringe. A monitorização intra-operatória dos nervos laríngeos, tem como finalidade auxiliar na localização e avaliar a integridade do nervo durante o ato cirúrgico. 

Outra preocupação importante do cirurgião é a preservação das paratireoide, glândulas justapostas a tireoide e são responsáveis pelo metabolismo do cálcio através da produção do paratormônio (PTH). Mesmo com a manipulação delicada e preservação das glândulas paratireóideas o paciente pode apresentar sintomas referentes a queda de cálcio no sangue como formigamento nas mãos, nos pés e em volta dos lábios, câimbras, contração muscular e fraqueza.

Cirurgia de tireoide por vídeo

É possível realizar a cirurgia de tireoide sem nenhuma cicatriz aparente, as incisões são localizadas na mucosa da parte interna do lábio inferior por onde passam as pinças cirúrgicas e a câmera. Os materiais de vídeo utilizados são os das videolaparoscopias das cirurgias abdominais. 

A cirurgia é a mesma feita pelo método convencional com incisão cervical e com resultados terapêuticos e riscos de complicações semelhantes, a diferença é avia de acesso cirúrgico com cicatrizes que ficam escondidas. Esta técnica não é elegível para todos os pacientes, o tamanho da tireoide, a localização do nódulo e a anatomia devem ser levados em consideração.

Radioablação

Técnica minimamente invasiva para tratamento de nódulos tireoidianos benignos não deixando cicatriz e preservando a glândula tireoide e sua função não necessitando de uso de medicamento para reposição hormonal no pós-operatório. Trata-se da ablação de nódulos por radiofrequência com agulha, guiada por ultrassonografia. Ao invés da retirada da glândula a ablação provoca a desnaturação das células do nódulo. Esse procedimento é indicado para casos benignos volumosos e para nódulos que causam hipertireoidismo.

Câncer de tireoide

Nódulos na tireoide são comuns e na grande maioria das vezes são benignos. As causas do câncer de tireoide não são muito bem definidas, mas devemos ficar atentos nos pacientes com exposição a altas doses de irradiação (radioterapia no pescoço e parte superior do tórax, ocupacional) e história familiar de câncer de tireoide.

Normalmente o câncer de tireoide não é sintomático e com frequência a função da glândula está preservada (produção de hormônios tireoidianos). Se o nódulo for grande o suficiente para comprimir a traqueia ou esôfago, pode dificultar a respiração e a alimentação. Rouquidão pode aparecer se o tumor estiver invadindo o nervo laríngeo recorrente causando paralisia ou diminuição da movimentação da corda vocal.

O diagnóstico do câncer de tireoide é feito através da história do paciente, exame físico, exames de imagem e a biópsia do nódulo por agulha fina.

Os principais tipos são o papilífero, folicular, medular e anaplásico. O papilífero é o mais frequente e também com o melhor prognóstico (maior chance de cura), o crescimento é lento, mais localizado e quando tem metástase frequentemente são para os gânglios do pescoço e mesmo assim o prognóstico ainda é muito bom.

O tratamento do câncer de tireoide é cirúrgico com remoção parcialou total da glândula tireoide. Muitas vezes, o tratamento pode ser apenas a cirurgia, se o tumor for classificado como baixo risco. Tumores de risco moderado ou alto risco necessitam de radioiodoterapia com o tratamento complementar.

A radioiodoterapia (Iodo-131), é um tratamento para a maioria dos tumores de tireoide (papilífero e foliculare) já operados com o intuito de eliminar possível tecido tireoidiano residual e metástases em outra região do organismo. O iodoradioativo é administrado via oral em ambiente intrahospitalar. O tratamento é pouco sintomático, algumas pessoas podem sentir azia e desconforto gástrico, facilmente resolvidos com medicamentos, caso necessário. Ocasionalmente pode ocorrer inflamação das glândulas salivares com alteração do paladar, e inchaço e dor nas regiões laterais da face, podendo ser evitados com estímulo da salivação e uso de antiinflamatórios.

Deve-se fazer uma dieta pobre em iodo pelo menos duas semanas antes do procedimento e seguir as demais orientações de preparo do médico nuclear. A radioiodoterapia pode ser feita após o preparo do paciente através do protocolo tradicional (hipotireoidismo fisiológico) ou após a administração do TSH recombinante humano (Thyrogen). Feito o preparo, deve-se dosar o hormônio TSH (responsável por aumentar a captação do iodo)

A pesquisa de corpo inteiro (PCI) é realizada de 4 a 10 dias após a radioiodoterapia.

Pesquisa de corpo inteiro (PCI)

A Pesquisa de Corpo Inteiro com Iodeto-I131 é um exame diagnóstico que utiliza uma pequena quantidade de material radioativo (traçador) para avaliar a presença de restos tiroideanos após a retirada cirúrgica da glândula (tiroidectomia total) e/ou pesquisa de tecido tiroideano funcionante a distância. É indicada para avaliação de pacientes com carcinoma bem diferenciado da tiroide (papilífero e folicular) e pode ser usada na avaliação após a dose terapêutica do iodo-131, também denominada de PCI pós-dose terapêutica, sendo em geral realizada 4 a 10 dias após o tratamento;

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